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O Mosteiro de Sorocaba em seus 350 anos

Dom Matthias Tolentino Braga, OSB

Desde o tombamento do conjunto de edifícios do Mosteiro de São Bento, de Sorocaba, muitos espíritos amantes da história e da arte desta cidade têm muitas vezes, com boa vontade, apresentado sugestões para dar um uso útil a tais prédios, considerando a importância deste patrimônio, mas desprezando, às vezes, sua utilidade monástico-eclesial. Tais propostas, sem dúvida, são sempre mostras do interesse e boa consideração de grande parte do povo sorocabano. Contudo, não se pode olvidar o aspecto fundamental de que o Mosteiro é habitado por monges e que nestes 350 anos, a comemorar no próximo ano, nunca lhe faltou a presença dos religiosos beneditinos.

Assim, este patrimônio beneditino não é, nem jamais foi um conjunto de edifícios abandonados que somente agora se busca restaurar. Ao contrário, sua preservação até hoje se deve, precisamente, porque nele habitam e trabalham os monges desde 1660. Tudo isso tem exigido de nossa Comunidade Monástica, sobretudo ao longo deste último século, imenso esforço, à custa de inúmeros recursos materiais e humanos, para manter este lugar como espaço vivo e operante, onde pulsa o dinamismo do espírito beneditino. Não se trata, pois, absolutamente, de prédios inativos, destituídos de utilidade. Não se passa aqui, portanto, como ocorre alhures com outros patrimônios de nossas cidades de ressuscitar ruínas históricas de uma presença do passado. Nesses casos, se já não se têm apenas relatos ou escombros do que desapareceu para sempre, quando algo ainda sobrevive, precariamente, após longo período de abandono, uma recuperação implica não somente o restauro das suas instalações físicas, mas sobretudo se exige ainda descobrir uma nova destinação e, consequentemente, seu aparelhamento para novo uso, com o fim de capacitar a construção não só à apreciação de sua originalidade arquitetônico-artística e histórica, assim como também a tornar-se espaço hodierno de vida social e de práticas de cidadania. Inclusive, mesmo nesses casos, a concepção contemporânea de preservação do patrimônio ensina que a primeira destinação a ser cogitada é aquela, sempre que possível, para a qual o edifício foi originalmente concebido, mantendo-se assim, mais plenamente, sua verdade histórica.

O Mosteiro de São Bento, de Sorocaba, repetimos, diferentemente desses patrimônios a que aludimos, nestes 350 anos existência não teve um dia sequer sem a presença dos monges beneditinos. Não se trata, pois, de uma patrimônio inativo, abandonado. Assim, atualmente, como ocorrera noutros tempos, com grande empenho, os monges têm procurado associar a si o povo sorocabano, especialmente nossos fiéis católicos, para empreendermos, juntos, uma revitalização da Comunidade Monástica local.

Prontamente temos tido inteiro apoio de nossos arcebispos, do clero, de toda a Arquidiocese e dos amigos do Mosteiro. Destacamos ainda todo apoio da Prefeitura e da Câmara Municipal nas últimas décadas.

Esta explicação se faz necessário para enfatizar, com clareza, os objetivos hodiernos do Mosteiro de São Bento em relação ao seu conjunto arquitetônico em Sorocaba. Qual seja: antes de mais nada, os monges almejam dar prosseguimento, sem solução de continuidade, à presença monástica nestes Claustros de Sorocaba. Neste sentido, é urgente se revitalizar a vida comunitária monástica em na cidade. Tal revitalização deve efetivamente começar, conforme a autêntica índole beneditina, restabelecendo o “cenóbio”, isto é, um grupo de no mínimo seis monges que, residindo juntos, partilham sua vida através do trabalho e da oração.

Estabelecida esta comunidade, poderão os monges impulsionar, com novo dinamismo, suas atividades no que lhes é mais original e rico: * A espiritualidade de sua liturgia monástica, com canto gregoriano e ofícios das horas (a “Opus Dei”); * A prática da “lectio divina”; * Maior número de sacerdotes para o pleno atendimento pastoral de seus fiéis; * A assistência aos pobres; * O cultivo das artes, sobretudo da música e do canto; * Os serviços na área educacional em todos os segmentos – fundamental, médio e superior; * O estudo das Letras, da História, da Filosofia e da Teologia; e * Iniciativas culturais variadas em parceria com a sociedade.

Enfim, assim poderemos intensificar e expandir nosso trabalho junto à Igreja de Sorocaba e a toda a cidade. É em vista à continuidade e ao aprimoramento destas atividades que nosso patrimônio deve estar a serviço da Comunidade Monástica e do povo sorocabano.

publicado no Jornal Diário de Sorocaba no dia 12/09/2009

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