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Direção do mosteiro quer alugar casarão para financiar obras

Restauro do imóvel foi concluído na semana passada e ideia inicial era que no local funcionasse o Museu de Arte Sacra de Sorocaba.

Jornal Cruzeiro do Sul 13/01/2009

Depois de nove meses de obras, foi concluído na última semana o processo de restauração do casarão localizado na esquina da rua Arthur Martins, que faz parte das instalações do Mosteiro de São Bento, no centro da cidade.

A ideia inicial era que no local, após recuperado, seria instalado o Museu de Arte Sacra de Sorocaba, porém, a administração do Mosteiro de São Paulo, que cuida inclusive desse imóvel, decidiu priorizar a casa para locação, a um custo médio de R$ 12 mil mensais. Os recursos com o aluguel seriam destinados, em sua totalidade, às obras de recuperação tanto da igreja como dos prédios e áreas anexos.

O casarão do Mosteiro de São Bento abrigou, por mais de uma década, a 3.ª Companhia da Polícia Militar. Abrange uma casa com oito grandes cômodos, além de cozinha, banheiros e uma área externa, num total de 1,6 mil metros quadrados.

De acordo com dom José Carlos Camorim Gatti, presidente da Associação Amigos de São Bento (AASB), qualquer interessado – seja empresa ou pessoa física – pode locar o espaço. Não temos restrição a nada. Mandarei todas as propostas recebidas para São Paulo, onde serão avaliadas.

Para utilizar o espaço, segundo dom José, o governo do Estado pagava um valor abaixo do preço de mercado. Na recuperação do prédio foram gastos R$ 200 mil, provenientes da Prefeitura, e mais R$ 40 mil, da AASB. Ainda não é possível prever em que obras do projeto de restauro do complexo, especificamente, serão aplicados os recursos da locação, nem em quantos anos o Mosteiro estará totalmente recuperado e a que custo.

De acordo com dom José, serão priorizadas as reformas mais urgentes. Restaurar todo o complexo de São Bento levará muitos anos. Só nas paredes da sacristia, por exemplo, os funcionários trabalharam por cinco meses e ainda não terminaram as obras.

No interior da igreja, apesar de estarem em ritmo mais lento, dom José garante que as obras nunca pararam.

Depois de cuidados iniciais no telhado – para evitar possíveis acidentes, por conta da deterioração do material – o trabalho passou a ser de restauro e remoção de reboco das paredes, originalmente construídas de taipa (mistura de madeira de barro). Além do casarão, a hospedaria – anexo para abrigar os monges – também está totalmente reformada.

Parceria para o museu
A possibilidade que o antigo casarão, agora restaurado, abrigue o Museu de Arte Sacra, porém, não está descartada. Pelo menos é o que garante seu diretor, o professor Marcos de Afonso Marins. Segundo ele, a ideia é promover uma parceria entre a Arquidiocese de Sorocaba e a Universidade de Sorocaba (Uniso), a partir da qual esta passaria a administrar o acervo, por meio da coordenação de seus cursos de pós-graduação, em nível de mestrado, de Comunicação e Cultura e Educação.

O reitor da universidade, professor Aldo Vanucchi, confirma o interesse da instituição. A ligação da Uniso com o museu vem de longa data, pois sempre temos estagiários nossos atuando junto ao acervo.

Suas obras são um campo de pesquisa muito importante para a vida acadêmica, falou. Faz parte dos planos de Vanucchi e Marins apresentar uma proposta ao prefeito Vitor Lippi (PSDB), em reunião no próximo mês, para que a administração municipal também entre como parceira para a implantação do museu.

A Arquidiocese é proprietária das peças, a Uniso cuidaria da administração e precisaríamos da Prefeitura para arcar com a infra-estrutura necessária para o museu e o aluguel.

Gostaríamos muito que o Mosteiro desse prioridade a essa proposta, comentou o reitor. O Museu de Arte Sacra de Sorocaba está fechado a visitação pública há mais de quatro anos, por falta de segurança e espaço físico adequado para abrigá-lo. Todo o acervo está guardado no piso superior da Catedral Metropolitana de Sorocaba.

 Mais verba
Nos próximos dias, a Associação Amigos de São Bento receberá um recurso de R$ 145 mil, de emenda ao orçamento do Estado apresentada pelo então deputado estadual Caldini Crespo (DEM).

O dinheiro chega para somar às demais verbas já aplicadas, nos últimos anos, na restauração do complexo, provenientes também de benefícios fiscais da Lei Rouanet e doações de membros da associação. Vamos investir esse dinheiro na recuperação da Casa de Nazaré, que presta atendimento social e assistencial aos mais carentes, disse dom José.

Os interessados em colaborar com as obras de restauro e a compor a Associação Amigos de São Bento podem fazê-lo diretamente no Mosteiro, de segunda a sexta-feira, das 8h às 11h e das 13h30 às 17h, ou via site http://mosteirosorocaba.org.  Os associados recebem, mensalmente, um boleto bancário por meio do qual é possível contribuir com qualquer quantia em dinheiro.

Crédito- Jornal Cruzeiro do Sul
Sandra Varchavtchik

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